O gol de letra de Robinho sobre o São Paulo de Rogério Ceni, domingo, pelo Campeonato Paulista, virou mania nacional. O lance genial do 'Rei das Pedaladas', que decidiu o jogo depois de entrar no segundo tempo, animou principalmente a garotada das escolinhas de futebol por todo o País, que não se cansa de repetir o movimento e até sonha em marcar gols assim.
Na escolinha do ex-zagueiro Gonçalves (que jogou no Botafogo e na Seleção), na academia Rio Sport Center, na Barra, teve até treinamento especial depois da aula, ensinando os alunos como fazer direitinho a letra de Robinho. Ensinando não é bem o termo adequado: a maioria já estava cansada de ver o gol pela TV, e, assim, precisou apenas repetir o movimento.
Segundo Gonçalves, a letra bem executada pelo Rei das Pedaladas - batida na bola com o lado interno do pé direito, com o jogador de lado para o gol - foi o melhor recurso na situação em que se encontrava o atacante do Santos.
"Parece que é mais fácil simplesmente chutar para o gol, mas não dá tempo. A bola vem muito rápida. Quando a bola está na linha da perna esquerda, com o jogador de lado para o gol, não dá tempo de chutar normalmente, virando a perna e batendo na bola normalmente . Então, o recurso mais usado é mesmo a letra", explicou o ex-zagueiro do Botafogo, campeão brasileiro pelo Alvinegro em 1995 e que participou da Copa do Mundo de 1998.
Mas, para Gonçalves, é um lance muito difícil e imprevisível. "É uma jogada de muito reflexo, você chuta mas não tem como dar a direção do gol. No caso do Robinho, foi a estrela mesmo que brilhou. O cara voltou da Europa naquela semana, entrou no segundo tempo e decidiu com gol de letra no finzinho do jogo", lembrou o ex-jogador.
Sobre a letra 'clássica' - com o jogador de frente, e o pé direito tocando na bola depois de passar completamente por trás do esquerdo - o ex-zagueiro alvinegro explica que não é um lance comum de gol.
"Nunca vi gol de letra 'clássica', a não ser de brincadeira, em pelada com os amigos. Na verdade, toda letra é um passe, ou um cruzamento. Maradona cruzava muito assim. Também dá para bater pênalti com ela", comentou Gonçalves.
Sonho de criança
Promessa de craque na escolinha de Gonçalves, Gabriel Santos, 11 anos, não só aprendeu direitinho a 'letra' como repetiu com perfeição no treino. Ao ser perguntado sobre o que achou do lance do Rei das Pedaladas, o garoto não tem dúvidas:
"Ah, Robinho é Robinho. É uma estrela, né?", derrete-se Gabriel. O menino diz que nunca fez um gol assim, de letra, mas promete tentar.
"Vou ver. É difícil, né?", diz ele, que torce para o Flamengo e gostaria de ver Robinho no seu time. "Quem dera!. Mas acho que ele não vai jogar pelo Flamengo, não", lamentou Gabriel.